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[13 Nov 2009|12:57pm] |
When Cold Winds Come
When the lamp is shattered The light in the dust lies dead -- When the cloud is scattered, The rainbow's glory is shed. When the lute is broken, Sweet tones are remembered not; When the lips have spoken, Loved accents are soon forgot.
As music and splendour Survive not the lamp and the lute, The heart's echoes render No song when the spirit is mute -- No song but sad dirges, Like the wind through a ruined cell, Or the mournful surges That ring the dead seaman's knell.
When hearts have once mingled, Love first leaves the well-built nest; The weak one is singled To endure what it once possessed. O Love! who bewailest The frailty of all things here, Why choose you the frailest For your cradle, your home, and your bier?
Its passions will rock thee, As the storms rock the ravens on high; Bright reason will mock thee, Like the sun from a wintry sky. From thy nest every rafter Will rot, and thine eagle home Leave thee naked to laughter, When leaves fall and cold winds come.
- Percy Bysshe Shelley -
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[13 Nov 2009|12:41pm] |
hoje, dia de todos os demónios irei ao cemitério onde repousa Sá-Carneiro a gente às vezes esquece a dor dos outros o trabalho dos outros o coval dos outros
ora este foi dos tais a quem não deram passaporte de forma que embarcou clandestino não tinha política tinha física mas nem assim o passaram e quando a coisa estava a ir a mais tzzt… uma poção de estricnina deu-lhe a moleza foi dormir
preferiu umas dores no lado esquerdo da alma uns disparates com as pernas na hora apaziguadora herói à sua maneira recusou-se a beber o pátrio mijo deu a mão ao Antero, foi-se, e pronto, desembarcou como tinha embarcado
Sem Jeito Para o Negócio
(Mário Cesariny)
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[12 Nov 2009|09:16pm] |
Em 1984, num livro de nome ''Prostituição Masculina em Lisboa'', cujos autores foram António Duarte e Hermínio Clemente, com prefácio de Clara Ferreira Alves, editado pela Contra-Regra, podia-se ler que as causas da homossexualidade radicavam todas na educação que o homossexual tinha tido no seu meio familiar e social.
'' Os psicanalistas colocam, normalmente, como axioma, que a homossexualidade do adolescente é a resultante da deformação da sexualidade dos progenitores. Marcel Eck é da opinião que ''as determinantes da homossexualidade são a fixação edipiana não resolvida e o medo do pai castrador'' Mas vejamos os cenários em que se desenvolvem, na maior parte dos casos, os futuros prostitutos, cujos casos pessoais temos vindo e continuaremos a relatar. Constata-se que nas famílias de que brotam homossexuais o papel de pai está frequentemente alterado. Não raro o pai nem sequer existe. Morreu ou separou-se da mãe. Quando existe e vive no seio da família, o pai do homossexual em embrião é geralmente, autoritário, mesmo ditatorial, e tende a impor ao filho normas abusivamente masculinas. Noutros casos, o pai demite-se da autoridade paternal e obriga a mãe a tomar o seu lugar, surgindo como elemento afectivo distante e sem amor. Noutros casos, ainda o pai despreza a mulher, reservando-a a um papel subalterno e doméstico. Pelo lado da mãe, os factores educativos que influem na génese da homossexualidade surgem como mais directos e determinantes, se bem que muitas vezes, como salientámos, sejam consequência de papéis invertidos ou desvirtuados do pai. ''Diz-me o que é a tua mãe e dir-te-ei se ó és'' é um adágio pertinente. Quando a mulher toma o papel de homem, o homem toma para o seu filho o papel da mulher. Os valores invertem-se, mas uma mãe com papel de homem tem tendência para abarcar, igualmente, o papel de mãe para com o seu filho. Aí temos a mãe monopolizadora e o pai apagado. Não é raro encontrarmos, entre prostitutos, mães sem marido, ou com marido em situação de ''inferioridade'' educacional, que aculturaram os filhos como meninas (muitas vezes por não terem tido filhas), ou em ambientes de mulheres. A mãe-galinha e a mulher frígida (!!!) são igualmente, papéis que influem na orientação sexual do filho, bem como a mãe puritana - esta mais sujeita a que o filho se lhe oponha abertamente, em rotura com os padrões morais estabelecidos, sem que, necessariamente, vire homossexual. Perante estes cenários, encontram-se, obviamente, mais expostos às consequências da deformação educacional os filhos com menor capacidade de afirmação, mais moldáveis e inseguros. estes factores, agravados por deficiente formação cultural básica e por uma promiscuidade social inerente às camadas mais pobres da sociedade urbana, completam o quadro da formação homossexual que degenera em prostituição.
Não sei se os autores ainda são vivos e se ainda pensam que a homossexualidade é tão somente um factor cultural adquirido; preocupante é saber que 25 anos depois ainda há pessoas que só pensam assim, e que em Portugal o governo que está agora no poder, o mesmo que nos prometeu há 6 meses a aprovação da lei para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, agora fale em referendo. Não quero referendo nenhum, quero a lei aprovada e mais nada.
itálicos meus
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[12 Nov 2009|06:46pm] |
PONTE MÓVEL SOBRE O RIO LEÇA
Imóvel na ponte aberta sobre este porto de mar queria não ter que esperar que o petroleiro passasse a vomitar ouro preto nos depósitos da Cepsa. Olho as margens da tarde em informe ebulição: o navio japonês veio dar à luz Toyota’s alinhados sobre o cais qual parada militar (os turistas do cruzeiro aguardam pelo autocarro que lembrará em sueco memórias do Porto antigo). Do cargueiro africano rolam troncos gigantescos houve um que caiu à água e ninguém o foi salvar (decerto não irá longe nestas águas estagnadas nem poderá ir mais ao fundo). Corre um vento de norte. Novembro está dentro do outono. Alguém reuniu o manto de folhas cerca da ponte mas pelo final do dia já é outono outra vez. E distraí-me do cais. Espera. Lá está a marinha. A fragata da Defesa devolveu homens a terra meio-dia de licença na casa da luz vermelha (este Natal as meninas vão-lhes dar a provar sonhos e o porteiro: rabanadas). Se faltavam desrazões para me obrigar a parar aqui me têm parado (só reparando se vê) qualquer amurada é perfeita para resumir um país qualquer ponte é ideal para se matar os tempos.
- João Luís Barreto Guimarães -
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[12 Nov 2009|06:24pm] |
"Na armadilha do tempo / ninguém tomba por engano: / não se expurga a pele por décadas quanto muito / dano a /dano." (p.42) - João Luís Barreto Guimarães, "A Parte pelo Todo"
Faz-me impressão sempre que uma pessoa se suicida. E não sei escrever sobre a Morte sem cair nos lugares-comuns do costume.Penso que a Morte é, por excelência, o supremo lugar-comum, o supremo absurdo. Se na morte estamos sozinhos, na morte por suicidio somos, e fomos em vida, só solidão espirtual.
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[03 Nov 2009|10:28pm] |
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ADICIONEI os meus dias e não te encontrei nunca, em sítio nenhum, para me tomares a mão no clamor dos abismos e na minha barafunda de estrelas! Tomaram uns o Saber e outros o Poder a escuridão rasgando a duras penas e pequenas máscaras, de alegria e tristeza, ajustando à face arruinada. Eu é que não, não ajustei máscaras, deitei para trás de mim alegria e tristeza pródigo deitei para trás de mim o Poder e o Saber. Adicionei os meus dias e fiquei sozinho. Disseram uns: porquê? Este também há-de viver na casa com vasos e a branca noiva. Cavalos de pêlo fulvo e negro acenderam-me a obstinação por outras mais brancas Helenas! Almejei outra mais secreta bravura e aí onde me impediram, invisível, fui a galope restituir as chuvas aos campos e recuperar o sangue dos meus mortos insepultos! Disseram outros: porquê? Este também há-de conhecer, até ele, a vida nos olhos do outro. Não vi olhos de outrem, não encontrei nada senão lágrimas no vazio que abraçava senão borrascas na serenidade que suportava. Adicionei os meus dias e não te encontrei e enverguei as armas e saí sozinho para o clamor dos abismos e a minha barafunda de estrelas!
Odysséas Elytis, in Louvada Seja, trad. Manuel Resende, Assírio & Alvim, Março de 2004, pp. 39-40. (Via: Antologia do Esquecimento)
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